É possível que dentro de algum tempo venha a encontrar cremes hidratantes com a marca Delta mesmo ao lado das embalagens de café intenso e descafeinado. Ingrediente activo: borras de café. Ou melhor, os componentes presentes nas borras de café, que ao invés de serem consideradas resíduos são classificadas como um subproduto de grande potencial.
Este é um dos objectivos do projecto de reciclagem ReThink, que a fabricante portuguesa está a implementar em todo o país. Além de reciclar o plástico das cápsulas Delta Q, que estão a ser transformadas em cadeiras, espreguiçadeiras e até vasos para plantas, a Delta pretende recolher as borras de café, entregá-las aos investigadores do IBET - Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica - e criar novos produtos a partir delas.
Segundo explica a professora Maria Ascensão Reis, coordenadora da equipa de investigadores, as borras têm «uma riqueza química enorme» e podem ser aplicadas em cosmética, energia, nutrição, agricultura e biomateriais. «No futuro, podemos ter cápsulas feitas com elementos retirados das próprias borras», indicou a investigadora.
O projecto está a ser financiado em 75% pelo QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), o que significa um incentivo de dois milhões de euros. Para já, a Delta pretende recolher 10% do total de borras geradas pelo seu café no mercado (algo como duas mil toneladas), objectivo que estará dependente da logística e da colaboração dos clientes.