O empreendedorismo tem-se vindo a afirmar como um dos mais importantes elementos de contribuição para a inclusão social e o desenvolvimento económico até ao ponto de em 1993, a ONU, em Assembleia Geral, aprovar unanimemente uma resolução reconhecendo o empreendedorismo como uma força social e económica da maior importância.
A definição de empreendedorismo proposta pela OCDE incide mais propriamente na definição do empreendedor enquanto agente de mudança e de crescimento económico, sendo capaz de acelerar a geração, disseminação e aplicação de ideias inovadoras. Acresce ainda o facto de o empreendedor não procurar e identificar apenas oportunidades economicamente proveitosas, mas sim estar preparado para enfrentar o risco inerente às opções tomadas, factor este fortemente defendido na obra de Peter Drucker, que menciona o risco como uma condição assumida pelo empreendedor. Em consonância com a definição da OCDE, Audretsch (1995) advoga que o empreendedorismo está associado à mudança, tal como os empreendedores são agentes de mudança; empreendedorismo é assim um processo de mudança.
De acordo com Hisrisch (2006) o empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação económica e pessoal.
No relatório GEM
1 (2004), define-se empreendedorismo como «qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou nova iniciativa, tais como um emprego próprio, uma nova organização empresarial ou uma expansão de um negócio existente, por um indivíduo, equipa de indivíduos, ou negócios estabelecidos».
Recentemente, a investigação na área do empreendedorismo gira em torno do seu envolvimento no crescimento económico dos países. As relações entre localização geográfica, inovação tecnológica, e empreendedorismo são linhas de investigação muito importantes e capazes de provar uma influência proveitosa no crescimento económico.
Se os empreendedores exploram positivamente a capacidade de inovação tecnológica e considerando esse um dos factores caracterizadores do empreendedorismo na economia actual, espera-se que este último se repercuta positivamente no crescimento económico dos países. Contudo, há medidas que podem e devem ser aplicadas no sentido do fomento do empreendedorismo, tais como: a criação de um meio ambiente incentivador e receptivo, e o aumento da qualificação do empreendedor.
Essas medidas podem estar ligadas ao aumento do capital financeiro, do capital humano e educação, do capital social, do planeamento prévio e do incremento das capacidades para identificar e desenvolver oportunidades de negócio; a redução das barreiras à entrada e saída, bem como a geração da iniciativa empresarial em sectores específicos (Gaspar, 2005).
Segundo Wennekers e Thurik (1999) e Karlssom et al. (2004), é possível sintetizar a forma como o crescimento económico é influenciado pela actividade empreendedora através da análise de três vectores principais: Inovação, Criação de Empresas e Emprego. É nesse sentido que se manifesta a preocupação da Comissão das Comunidades Europeias (2006) que destaca que se a Europa quiser preservar com êxito o seu modelo social, necessitará de um maior crescimento económico, mais novas empresas, mais empreendedores dispostos a lançar-se em projectos inovadores e mais PME de rápido crescimento.
Insistindo agora na componente da educação, já no século XVII, William Petty e Richard Cantillón, destacaram o efeito positivo que tem a educação no crescimento económico, devido a que esta permite incrementar o nível de conhecimentos da população e, deste modo, aumentar a produtividade do trabalho e favorecer o dito crescimento.
Na actualidade a importância concedida ao efeito positivo da educação do empreendedorismo reside no desenvolvimento de atributos e competências gerais que formam a base do empreendedorismo e que se complementa pela aquisição de um conhecimento mais específico sobre a actividade empresarial, em função do nível de ensino.
A sociedade que se preocupa muito com a formação dos seus indivíduos, e que considera que estes deverão assumir o seu próprio processo de educação e formação como um compromisso é inevitavelmente uma sociedade empreendedora, na qual os empreendedores deverão encarar a educação como uma norma a ser adoptada, (Drucker, 2000).
Reconhecendo a educação como um elemento do capital humano pode ainda destacar-se o trabalho de alguns autores, tais como Polkovnichenko (2003), Parker e Van Praag (2004), os quais reconhecem a importância do capital humano no fomento do empreendedorismo.
Dulcineia Catarina Moura
Setembro de 2008
1 O projecto Global Entrepreunership Monitor (GEM) tem como objectivo analisar a relação entre o nível de empreendedorismo e o nível de crescimento económico em vários países e, simultaneamente, determinar as condições que fomentam ou restringem as dinâmicas empreendedoras em cada país.