Numa entrevista ao semanário Sol, Pedro Passos Coelho nega que o empobrecimento seja a receita aplicada por este Governo. «Pobres já nós estamos. Há é pessoas que ainda não se deram conta disso e continuaram a viver como se não fossem pobres. Viveram não daquilo que tinham mas daquilo que lhes emprestaram», refere Pedro Passos Coelho. Questionado sobre se a receita que pretende aplicar é a de Oliveira Salazar, "Produzir e Poupar", o primeiro-ministro deu a seguinte resposta: «Não é preciso ir buscar o dr. Salazar para perceber que os países que querem crescer têm de poder financiar esse crescimento; e que só é possível financiar crescimento com poupança». Na entrevista, Pedro Passos Coelho admite que nunca pensou ter de cortar em 2011 o equivalente a 50% do subsídio de Natal mas garante que, quando foi eleito, «não tinha a expetativa de aumentar os impostos além daquilo que estava previsto no memorando de entendimento» da 'troika'. «Não mudei o discurso entre o tempo em que fui líder da oposição e o tempo em que sou primeiro-ministro», garante, dizendo que continua a pensar que Portugal tem uma carga fiscal «extremamente pesada». Nesse sentido, reiterou que o objetivo do Governo é reduzir, até 2015, o peso da despesa pública para 42 ou 43% do Produto Interno Bruto, o que, considerou, «significaria um alívio fiscal importante». «É importante que esse alívio fiscal corresponda à possibilidade de poupar para investir e não apenas poupar para depois gastar em consumo», sublinha. Numa entrevista de seis páginas centrada sobretudo em questões económicas, o primeiro-ministro reitera que «há razões para acreditar» que Portugal não precisará de novo pacote de ajuda externa e que estará «em condições de regressar ao mercado na altura própria», setembro de 2013, admitindo apenas negociar com a 'troika' alterações relacionadas com as condições de financiamento da economia portuguesa no setor privado. Sobre o programa de ajuda à Madeira, o primeiro-ministro admite que se tratou de uma negociação «demorada e complexa» mas não «dificílima», salientando que era importante que o país percebesse «que não havia nenhum tratamento de favor» à Região liderada por um Governo Regional do PSD. Questionado sobre alegadas divergências com o Presidente da República, o primeiro-ministro recusou fazer grandes comentários, deixando apenas uma garantia: «É público e patente que não existe nenhum problema de relacionamento entre mim e o senhor Presidente da República. Tem sido uma cooperação bastante positiva e que eu tenho realçado em termos públicos».