Os trabalhadores dos centros de distribuição postal da Calçada da Boa-Hora (Lisboa), que hoje comprem um dia de greve, apelaram ao Presidente da República para intervir junto do Governo e ajudar a «repor a normalidade» nos CTT.
Numa carta aberta que entregaram na Presidência da República, os trabalhadores destes dois centros de distribuição postal manifestam-se preocupados com «a falta de qualidade que actualmente a gestão da empresa os obriga a prestar à comunidade».
E exemplificam: «Em algumas zonas a distribuição em dias alternados (feita por trabalhadores precários sem formação nem qualificação para o exercício da actividade profissional de carteiro), o atraso na da correspondência e a má organização do trabalho e a retirada da rede normal dos CTT de mais de 23.000 correspondências diárias, que são entregues a uma empresa paralela».
Na missiva, os 85 trabalhadores destes dois centros de distribuição postal, que abrange uma área desde Campo de Ourique até Miraflores, consideram que «o modelo de organização que os CTT estão a implantar leva ao acentuar da precariedade laboral (...), prejudica os utentes que recebem o sue correio por vezes com vários dias de atraso e prejudica as empresas que recebem as suas correspondências quase no final do expediente».
«A actual administração dos CTT, de inteira confiança do Governo e com o consentimento calado do Regulador, não respeita os compromissos a que está obrigada», refere, os trabalhadores na carta aberta, dando como exemplo o encerramento de estações de correios, a criação de «circuitos paralelos» e a «redução dos salários».
A missiva foi entregue na Presidência da República por uma comissão de quatro elementos, entre eles um carteiro fardado, depois de dezenas de trabalhadores se terem concentrado frente às instalações da Calçada da Boa-Hora e terem seguido até Belém em pequenos grupos, uma vez que o desfile não foi autorizado pelo Governo Civil de Lisboa.
Para quinta-feira está agendado novo plenário, onde poderão ser decididas novas formas de luta.
A paralisação de hoje foi convocada em protesto contra os novos horários impostos pela empresa e que, segundo os trabalhadores, resultam nalguns casos na perda de 250 euros/mês.