A situação do desemprego em Espanha é já «crítica» mas ainda vai piorar este ano pelo que é urgente avançar com a reforma laboral e com medidas que ajudem a recuperar o crédito para as famílias e empresas, defendeu hoje o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, na primeira sessão de controlo ao executivo no Congresso de Deputados desde que tomou posse, no final de Dezembro. Referindo-se à taxa de 22,9% de desemprego que já se regista em Espanha, Rajoy afirmou que, apesar de se pensar que a situação «não poderia ser mais grave», as expectativas são de que se agravará em 2012. «É difícil pensar num ponto de partida pior para a legislatura», disse Rajoy, que durante 40 minutos defendeu a ambiciosa agenda de reformas do seu executivo, que quer «inverter a situação» deixada pelo anterior Governo com reformas que continuarão «durante toda a legislatura». «O mais urgente é reduzir o défice público», disse, afirmando que essa é a única medida para «cortar pela raiz a crise da credibilidade». No seu discurso, onde detalhou ainda as conclusões do último Conselho Europeu, Mariano Rajoy analisou os dados negativos de emprego, crédito malparado, défice, PIB e endividamento. Além da reforma financeira - «sendo imprescindível que as entidades bancárias saneiem as suas contas» - Rajoy defendeu medidas para facilitar a criação de emprego e fomentar o crescimento económico. «O processo de reformas será contínuo ao longo de toda a legislatura», afirmou Rajoy que leu um discurso de 18 páginas. «Temos que deixar de ser um factor de incerteza na zona euro. A UE não nos obriga a nada, impusemo-nos isso a nós próprios quando decidimos entrar neste clube», afirmou, acusando o anterior Governo de «mentir» sobre os dados do défice. No que toca à reforma laboral, e sem avançar detalhes sobre as medidas que o Governo vai aprovar esta sexta-feira, Rajoy afirmou ser partidário do diálogo mas recordou que além do acordo sobre moderação salarial, os patrões e os sindicatos não chegaram ainda a nenhum outro acordo. Apesar disso, afirmou, o Governo vai aprovar uma «reforma laboral ampla e equilibrada, para avançar na flexibilidade e mobilidade», procurando que o mercado «esteja melhor adaptado às circunstâncias económicas». «Sem reformas não haverá recuperação de emprego», disse, repetindo a mensagem que transmitiu no último Conselho Europeu.